A máscara da besta

(E a cegueira em todos nós…)

No mês de abril, com o agravamento da “pandemia” (na mídia), um pandemônio de leis absurdas se alastra pelo país como fogo selvagem. Foi a partir deste mês que governantes com um péssimo histórico em administração de saúde pública – e que supostamente estariam contrariando o pedido de isolamento vertical do presidente Bolsonaro – começam a aplicar normas cada vez mais totalitárias a fim de conter a tal “gripezinha”.

Em São Paulo, a capital financeira do Brasil, a aposta em barrar o virus não somente inclui o distanciamento social e o fechamento do comércio, mas temos lá um governador a sugerir multas e prisão para quem desrespeitar legislações extremas propostas as pressas por seu governo. No Rio de Janeiro conjuram a idéia messiânica de que é possível diagnosticar o contágio pelo Covid-19 através do telefone e, por este milagre da tecnologia, sugerir medidas de “tratamento” (mesmo que este ainda seja debatido por especialistas mundo afora).

Denúncias levam à prisões em diversas partes do país em clara demonstração de abuso de autoridade – com jovens sendo detidos em delegacias ao reunirem-se para festejar, e idosos abordados pela polícia como criminosos ao saírem de suas casas, quando não orgulhosamente declarados prisioneiros domiciliares por suas próprias famílias.

Mesmo estando alertas quanto aos efeitos catastróficos da pandemia na economia mundial, governantes utilizam-se da declaração presidencial, que estabeleceu uma “calamidade” de ordem nacional, com o intuito de decretar ordens que, de fato, não vêm para amenizar a perda de poder aquisitivo devido as demissões em massa, nem demonstram zelo pela saúde da população. Em Belo Horizonte, sob o pretexto de diminuir o contágio, decretos são impostos para que todos sigam – e desta forma o comércio passa a recusar a venda para quem não estiver disposto a vestir a fantasia de médico dentro de estabelecimentos que ainda são permitidos funcionar (sob o risco de punição àqueles que não aderirem à tendência).

Como em uma profecia bíblica retirada do livro das Revelações, perde-se o principal direito do consumidor – o de consumir – e aqueles que não trazem a marca (ops!) a máscara da besta, estes podem ser livremente discriminados em seus afazeres comerciais, negado comida e atendimento, além de olhados com desprezo por aqueles que advogam o estabelecimento de uma utopia Huxleiana.

Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome.

Apocalipse 13:16-18

Em breve um número maior de estados brasileiros passa a aderir à moda autoritária, e para isso recebem a ajuda de start-ups especializadas em monitorar pessoas através de seus telefones. Junto disso, debates vitais a respeito de leis de proteção de dados e privacidade online são prorrogados no Senado e o cidadão brasileiro passa a não possuir qualquer garantia de que seus detalhes mais pessoais serão respeitados por entidades oportunistas; estas que se aliam furtivamente ao governo para combater o inimigo invisível: a praga, um dos cavaleiros do apocalipse.

Apesar da promessa de privacidade, aplicativos como o Monitora Covid-19 requisitam dados essenciais do cidadão (como CPF e cartão do SUS) – e com isso se dispõem-se a fornecer um “tratamento à distância” – enquanto hospitais reservam leitos para pacientes hipotéticos. Mesmo com o veto do presidente em tornar a abertura dos dados compulsória, é certo que dados genéricos (como a localização do usuário) estarão sendo compartilhados entre empresas de comunicação e governos durante a (dita) dura “quarentena” – algo que não surge como exclusividade do Brasil – já que inúmeros países (como Israel e Coreia do Sul) aplicaram tal tecnologia durante o decorrer da pandemia. Na Índia, outro caso de extremos, vincular o estado de saúde a um banco de dados visível ao governo e corporações, tornou-se agora um pre-requisito de cidadania obrigatório. (E em ambos os casos o app em questão é distribuído gratuitamente através da loja virtual da Apple e Google, com link fornecido através do website do governo federal).

People will come to love their oppression, to adore the technologies that undo their capacities to think.
(Aldous Huxley)

Além disso, contrariando recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que inicialmente implorou para que máscaras sejam utilizadas por profissionais de saúde (a fim de evitar escassez no serviço de saúde), o Brasil recebe investimento vultoso de bancos privados (como o Itaú, Bradesco e Santander), tendo como finalidade convencer a população incauta, através de uma campanha publicitária de larga escala, a usar máscaras de “proteção” e, com isso, sentirem-se heróicos paladinos da saúde pública. Tal ação visivelmente aumenta a divisão entre aqueles que optam, ou não, pelo uso da máscara – e logo se inscreve uma falsa dicotomia na ordem social no qual a liberdade de uns se esvai em prol de um “fascismo do bem” – que visa proteger a todos sem proteger ninguém – e, nesse contexto, nem Cristo salva (ou está salvo).

Cristo Travestido

Contudo, pouco há de científico neste apelo mascarado. Vejamos o que diz a Organização Mundial de Saúde sobre o uso deste aparato.

A recomendação oficial é para que pessoas lidando com doentes, ou com suspeita de doença, utilizem de máscaras médicas para evitar o contágio. Contudo, mesmo essas máscaras precisam ser substituídas após um período de 2 horas, e devem ser descartadas (algo que uma parcela grande da população parece ignorar). Máscaras artesanais, feitas de tecido, no entanto, podem causar mais oportunidades de contágio do que proteção. Dentre os riscos potenciais de máscaras não-médicas, a OMS numera:

There are potential risks and disadvantages that should be taken into account in any decision-making process on the use of masks:

  • Non-medical or cloth masks could increase potential for COVID-19 to infect a person if the mask is contaminated by dirty hands and touched often, or kept on other parts of the face or head and then placed back over the mouth and nose; (máscaras não-médicas ou de tecido podem AUMENTAR o potencial de infecção pelo COVID-19, caso a máscara esteja contaminada por mãos sujas ou é tocada repetidamente, ou repouse em outras partes da cabeça)
  • Depending on the type of mask used, could cause difficulty in breathing;
    (alguns tipos de máscara podem causar dificuldades em respirar)
  • They can lead to facial skin breakdown;
    (podem levar a lesões na pele do rosto)
  • They can lead to difficulty with communicating clearly 
    (dificultam a comunicação)
  • They can be uncomfortable to wear
    (podem ser desconfortáveis de vestir)
  • It is possible that mask use, with unclear benefits, could create a false sense of security in the wearer, leading to diminished practice of recognized beneficial preventive measures such as physical distancing and hand hygiene.
    (podem gerar uma sensação de falsa segurança, levando a diminuição de práticas reconhecidamente benéficas de higiene, como o distanciamento social e higiene das mãos).

Uma das máscaras mais utilizadas pelos brasileiros é a N95. Apesar de constar como “arma no combate ao virus”, o Food & Drug Administration (FDA) dos EUA, nos diz que tais máscaras NÃO DEVEM SER REAPROVEITADAS, e não são aconselhadas para pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas (o que dizer então dos portadores de herpes labial…). Nos EUA, lotes inteiros destas máscaras foram rejeitados quando foi constatado que 60% delas não bloqueavam partículas microscópicas. Devido a intensa procura de máscaras N95 pelo público em geral, hospitais e centros de saúde revelam uma crescente escassez deste item essencial, e são obrigados a reutilizar máscaras que deveriam ter sido descartadas após o contato com doentes. A busca por salvação da turba amedrontada explica o caos do sistema de saúde. O mercado farmacêutico, sempre sedento por lucro, também responde com crueldade: o atual preço de cada máscara nas farmácias da capital da Paraíba, João Pessoa, é de aproximadamente 25 reais (preço que subiu mais rápido do que os casos de COVID-19, e não condiz com a realidade da maioria dos brasileiros – muitos agora desempregados e sem fonte de renda).

Quanto as máscaras artesanais – apesar do alarde sobre a potencialidade de proteger o usuário contra a transmissão de partículas, e os inúmeros modelos criativos que abundam nas farmácias e estabelecimentos comerciais – não há, na verdade, qualquer evidência científica de que é eficaz na proteção contra microorganismos patogênicos microscópicos, como virus Corona. O Ministério da Saúde chega a incluir pedaços de pano (tecido de algodão, tricoline, cotton, TNT, outros têxteis), considerados pelo órgão como matéria-prima adequada para a confecção do aparato – fato que claramente contraria as recomendações da OMS, e expõem a população ao risco de contaminação por outros doenças. Contudo, devido ao preço de mercado abusivo das máscaras cirúrgicas, aliado à pressa dos governantes em mostrarem-se competentes em ocultar nossas bocas (e vozes), esta parece ser a única opção viável para a maioria dos brasileiros, agora falidos e desesperados…

Resta-nos então vestir uma mordaça médica como símbolo de orgulho nacional e prova de nossa falsa-moral humanitária – enquanto trancamos velhos em suas casas e denunciamos vizinhos que buscam aliviar o stress da presente situação. Não seria chegada a hora de invejar o freio-de-burro? Ou

Pode funcionar como placebo, mas sem qualquer garantia de proteção.

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